
Shiu.
Entra mas não faças barulho. Fica aí, em completo silêncio.
Eu quero ouvir o tilintar da chuva no vidro da janela que dá para o meu mundo.
Aquele, ao fundo, do lado esquerdo daquela árvore que cresce cada vez mais. O doce mundo onde eu sou o que pretendo ser, sem dedos apontados.
Ouve.
Só tu é que aqui entras, só o abro a quem realmente sabe fazer com que algo dentro de mim dê um sorriso.
O meu recanto existe. Digam o que disserem é para lá que corro todos os dias.
Shiu
Deixa-me estar, em silêncio no meio das minhas luzes.
Aqui sinto que estou em prefeita sintonia com os meus desejos.
Deitada aqui, consigo sentir as gotas a descerem.
Tu sais, acho que não entendes, o quanto este lugar, o silêncio que nele se faz sentir, é importante para mim.
Eu parva corro atrás de ti, mas ao dar cinco passos percebo que não vai servir de nada ir, então, deixo que saias e fujas para longe do meu silêncio.
E eu?
Eu fico ali, agora a sentir cada gota de chuva cair sobre o meu rosto, sento-me e deixo-me ficar.
O sossego que aqui se faz sentir deixa-me feliz e recarrega-me as baterias para enfrentar tudo e todos com um sorriso nos lábios.
Fico ali, horas a fio, concentrada no meu mundo nem dou pela tua chegada.
Quando sinto um braço a abraçar-me a cintura estremeço.
Abro os olhos e lá estás tu.
Apanho fôlego para te perguntar o porque de teres voltado, mas nem me dás hipóteses de mexer os lábios, os teus abrem-se automaticamente e com uma voz tremida dizem ,
-Shiu, deixa-me estar aqui, simplesmente.